TECER A VIDA... Um Tear (um ir e vir) de sentimentos, momentos e vida. Certezas jamais, incertezas sempre.Tecendo histórias, pensamentos, reflexões, filmes, frases e devaneios. Um ponto aqui, outro ali, e sempre que tiver um nó... eu DESATO e dou um laço. Tecer...essa estranha Contradição! #JaneHaddad #Tecer #Teceravida
domingo, 5 de abril de 2020
terça-feira, 24 de março de 2020
E AGORA? Os sinais estavam dados
Quem me conhece, sabe que sou uma pessoa otimista, mas confesso que estou preocupada com a pequenez da humanidade.
Neste momento, todos políticos, sejam eles do partido que forem deveriam estar do “mesmo lado” o lado da HUMANIDADE, abandonando as desavenças e vaidades.
Estamos vivendo, um dos piores momentos da humanidade( ricos, pobres, negros, brancos, esquerda ou direita, empresário ou funcionário), todos no mesmo barco.
O Barco da indefinição e irresponsabilidade de muitos.
Ao assistir os telejornais, confesso que sinto vergonha dos nossos representantes.
Ontem participei de um debate, onde uma psiquiatra nos contou que seus dois filhos, médicos e residentes na Itália, estão chocados, lá não há mais caixões e nem lugares para enterrarem seus mortos!
O momento atual, não pode continuar dividindo a humanidade, nossa saúde física e psíquica está por um triz.
O momento é de reflexão, balanço e amor, sim AMOR. Amor com os milhares de trabalhadores que não tem como sobreviver e muito menos como estocar comida e remédios. Amor por nós, amor pela vida, amor com o próximo.
Hoje, vi uma velinha de uns 65 anos catando latinhas no lixo. Me aproximei dela e perguntei se ela precisava de alguma ajuda. Sabem o que ela me respondeu?
- moça, eu não tenho mais nada a perder, nunca imaginei chegar no fim da vida, tendo que vender latas para poder comer. Se esse vírus me atacar, vou agradecer.
Parei e me perguntei: - qual é a minha responsabilidade nisso? Aquela senhorinha não me sai da cabeça. Seus olhos eram de desesperança, medo... vazio de sentimento de amor próprio.
Portanto, amigos e amigas, não podemos esmorecer, temos o dever, de nos fortalecermos, de nos unirmos para além de partidos políticos, preferências pessoais e EGOS inflados.
Todos nós, estamos na mesma enrascada, de norte a sul, de leste a oeste...não sabemos o que será do amanhã. Lembremos que somos parte de uma mesma família, chamada HUMANIDADE.
Se nós, não aprendermos nada com o corona vírus, dificilmente teremos uma nova história para contar.
Portanto, Zema, Kalil, Bolsonaro, Antonio, João, Haddad, Maluf, Lula, Garotinho, Dilma, Dória... lutemos pela Humanidade,depois vocês voltam a duelar e decidem! #CORONAVIRUS #CONVID19 #JANEHADDAD
Jane Patricia Haddad
Neste momento, todos políticos, sejam eles do partido que forem deveriam estar do “mesmo lado” o lado da HUMANIDADE, abandonando as desavenças e vaidades.
Estamos vivendo, um dos piores momentos da humanidade( ricos, pobres, negros, brancos, esquerda ou direita, empresário ou funcionário), todos no mesmo barco.
O Barco da indefinição e irresponsabilidade de muitos.
Ao assistir os telejornais, confesso que sinto vergonha dos nossos representantes.
Ontem participei de um debate, onde uma psiquiatra nos contou que seus dois filhos, médicos e residentes na Itália, estão chocados, lá não há mais caixões e nem lugares para enterrarem seus mortos!
O momento atual, não pode continuar dividindo a humanidade, nossa saúde física e psíquica está por um triz.
O momento é de reflexão, balanço e amor, sim AMOR. Amor com os milhares de trabalhadores que não tem como sobreviver e muito menos como estocar comida e remédios. Amor por nós, amor pela vida, amor com o próximo.
Hoje, vi uma velinha de uns 65 anos catando latinhas no lixo. Me aproximei dela e perguntei se ela precisava de alguma ajuda. Sabem o que ela me respondeu?
- moça, eu não tenho mais nada a perder, nunca imaginei chegar no fim da vida, tendo que vender latas para poder comer. Se esse vírus me atacar, vou agradecer.
Parei e me perguntei: - qual é a minha responsabilidade nisso? Aquela senhorinha não me sai da cabeça. Seus olhos eram de desesperança, medo... vazio de sentimento de amor próprio.
Portanto, amigos e amigas, não podemos esmorecer, temos o dever, de nos fortalecermos, de nos unirmos para além de partidos políticos, preferências pessoais e EGOS inflados.
Todos nós, estamos na mesma enrascada, de norte a sul, de leste a oeste...não sabemos o que será do amanhã. Lembremos que somos parte de uma mesma família, chamada HUMANIDADE.
Se nós, não aprendermos nada com o corona vírus, dificilmente teremos uma nova história para contar.
Portanto, Zema, Kalil, Bolsonaro, Antonio, João, Haddad, Maluf, Lula, Garotinho, Dilma, Dória... lutemos pela Humanidade,depois vocês voltam a duelar e decidem! #CORONAVIRUS #CONVID19 #JANEHADDAD
Jane Patricia Haddad
domingo, 19 de maio de 2019
terça-feira, 29 de maio de 2018
TECER A VIDA: INCLUIR NÃO É TÃO SIMPLES
TECER A VIDA: INCLUIR NÃO É TÃO SIMPLES: Pensar inclusão no ambiente escolar não significa apenas criar “novas” vagas para as pessoas com necessidades especiais na escola regula...
INCLUIR NÃO É TÃO SIMPLES
Pensar inclusão no ambiente escolar não significa apenas
criar “novas” vagas para as pessoas com necessidades especiais na escola
regular e muito menos apenas seguir as leis”. Incluir é superar nossas próprias
dificuldades em aceitar aqueles e aquelas que são diferentes de nós. Incluir requer um processo a ser construído
diariamente, em que a escola se torne acolhedora às diferenças,
inclusive em seu currículo e formas de avaliar. Incluir não é uma ação “tão”
natural como parece, é uma construção contínua de uma conscientização política
de que todos devem ser agentes e, portanto, o sujeito do ato educativo,
independente da limitação física, psíquica e emocional.
Nossa educação
ainda se baseia em modelos de “iguais”, em padrões de “qualidade”, “eficiência”
e rankings, para alguns alunos e alunas, isso é possível, mas não para todos e
todas. Uma sociedade que prima por modelos ideais de beleza, inteligência e
desempenho não deve desconectar-se de outras habilidades e subjetividades
possíveis.
Ao acompanhar o
processo de inclusão em algumas escolas, venho percebendo pontos essenciais
como: as crianças menores não são (ainda) dotadas de preconceitos, pelo
contrário elas são muito solidárias e suportam bem seus diferentes; professores
e gestores que apostam nos sujeitos, conseguem bons efeitos. Acolher é o
primeiro passo de qualquer humanização possível. O primeiro passo é
destituirmo-nos do lugar de Sabe-Tudo, do lugar apenas do ensinar, o momento é
um convite a apreender com os ditos “especiais” e partir do ponto de que: cada
um de nós, em algum momento da nossa vida, terá uma necessidade especial. Quem
é o sujeito que adentra nossas escolas¿
A educação inclusiva permite um repensar e uma possibilidade de lançar o olhar para outras diversas direções ainda não visitadas.
A educação inclusiva permite um repensar e uma possibilidade de lançar o olhar para outras diversas direções ainda não visitadas.
Incluir não é tão simples...Mas é possível! O Maior obstáculo ainda somos nós mesmos.
sexta-feira, 16 de dezembro de 2016
domingo, 17 de janeiro de 2016
zygmunt bauman: vivemos tempos líquidos. nada é para durar
zygmunt bauman: vivemos tempos líquidos. nada é para durar: Estamos cada vez mais aparelhados com iPhones, tablets, notebooks, etc. Tudo para disfarçar o antigo medo da solidão. O contato via rede social tomou o lugar de boa parte das pessoas, cuja marca principal é a ausência de comprometimento. Este texto tem como base a ideia do ser líquido, característica presente nas relações humanas atuais. Inspirado na obra Amor Líquido - sobre a fragilidade dos laços humanos, de Zigmunt Bauman. As relações se misturam e se condensam com laços momentâneos, frágeis e volúveis. Num mundo cada vez mais dinâmico, fluído e veloz. Seja real ou virtual.
quinta-feira, 13 de agosto de 2015
A educação vai muito mal
No texto “Currículo dos Urubus” do livro “Estórias maravilhosas de quem gosta de ensinar”, Rubem Alves utiliza a metáfora:
“O Rei Leão, nobre cavalheiro, resolveu certa vez que nenhum dos seus súbditos haveria de morrer na ignorância. Que bem maior que a educação poderia existir? Convocou o urubu, impecavelmente trajado em sua beca doutoral, companheiro de preferências e de churrascos, para assumir a responsabilidade de organizar e redigir a cruzada do saber. Que os bichos precisavam de educação, não havia dúvidas. O problema primeiro era o que ensinar.
Questão de currículos: estabelecer as coisas sobre as quais os mestres iriam falar e os discípulos iriam aprender. Parece que havia acordo entre os participantes do grupo de trabalho, todos urubus, é claro: os pensamentos dos urubus eram os mais verdadeiros; o andar dos urubus era o mais elegante; as preferências de nariz e de língua dos urubus eram as mais adequadas para uma saúde perfeita; a cor dos urubus era a mais tranquilizante; o canto dos urubus era o mais bonito. Em suma: o que é bom para os urubus é bom para o resto dos bichos.
E assim se organizaram os currículos, com todo o rigor e precisão que as ultimas conquistas da didáctica e da psicologia da aprendizagem podiam merecer. Elaboraram-se sistemas sofisticados de avaliação para teste de aprendizagem. Os futuros mestres foram informados da importância do diálogo para que o ensino fosse mais eficaz e chegavam mesmo, uma vez por outra, a citar Martin Buber. Isto tudo sem falar na parafernália tecnológica que se importou do exterior: máquinas sofisticadas, que podiam repetir as aulas à vontade para os mais burrinhos, e fascinantes circuitos de televisão.
Ah! Que beleza! Tudo aquilo dava uma deliciosa impressão de progresso e eficiência e os repórteres não se cansavam de fotografar as luzinhas piscantes das máquinas que haveriam de produzir saber, como uma linha de montagem produz um automóvel. Questão de organização, questão de técnica. Não poderia haver falhas. Começaram as aulas, de clareza mediana. Todo o mundo entendia. Só que o corpo rejeitava….
E assim as coisas se desenrolaram, de fracasso em fracasso, a despeito dos métodos cada vez mais científicos e das estatísticas que subiam. E todos comentavam, sem entender: A educação vai muito mal…” Qual a parte que nos Cabe? #educacao #JaneHaddad #Curriculo
segunda-feira, 10 de agosto de 2015
domingo, 21 de junho de 2015
Pensar a ordem simbólica, que é o que nos caracteriza como humanos. “O humano é filho ou filha do humano, daí a
importância da ordem geracional, da inscrição em uma genealogia, uma história.
O humano nunca é solitário, mas sempre solidário” (GUILLLOT, G. 2008, p.
59). Certa vez, li ou pensei, já não sei mais, o que importa é que me marcou
muito: “Querer ser mãe não é a mesma coisa de ter um filho”. Tal frase
ecoa hoje, mais do que ontem em meus ouvidos.
sexta-feira, 24 de abril de 2015
MOBREC SM: Congresso 2015
MOBREC SM: Congresso 2015: XV Congresso Internacional de Educação Popular XXIV Seminário Internacional de Educação Popular II Seminário Internac...
Venham participar #MOBREC2015
Venham participar #MOBREC2015
terça-feira, 17 de março de 2015
SIM: UM A UM
SIM: UM A UM
Seres humanos apreendem
em seu processo de vida. Ainda que
Freire, não tenha escrito diretamente sobre deficiência, seu legado sustenta
amplamente a valorização da DIVERSIDADE HUMANA e a construção de uma sociedade mais
humana que acolha todos em suas diferenças e semelhanças. Sugiro que nós educadores tenhamos um tempo-espaço para tal reflexão. O processo de incluir
é algo essencial e profundo, ultrapassa o velho debate de “deficientes” e
“diferentes” ou mesmo "iguais" ampliar nosso debate é essencial para nossa forma de ser e estar no mundo contemporâneo.
Sugiro partirmos do ponto: Como nós,
dito “normais” incluímos àquele colega que pensa diferente de nós? Como
enxergamos um sujeito, cujo, corpo e mente nos apresenta diferenças?
Quando
as novas gerações adentram as escolas, o que pretendemos ? Por #JanePatriciaHaddad #educacao #diversidade
domingo, 4 de janeiro de 2015
Uma criança sempre é e será uma criança
Ao andar por Namibe, encontrei diversas crianças, algo nelas era diferente das nossas crianças brasileiras: o olhar;
um olhar que espera;
um olhar que olha fundo;
um olhar que representa um OLHAR!
Uma criança, que apesar das sua(s) histórias, nem sempre feliz(es), ainda é uma Criança.
#Namibe2014
Jane Patricia Haddad
sábado, 27 de dezembro de 2014
OS ROSTOS ANÔNIMOS HOJE TÊM NOMES: YASMIN, BENJAMIN, ROBERTO...
"A educação é a arma mais forte que você pode usar para
mudar o mundo." Nelson Mandela
No mês de
Janeiro deste ano (2014), onde entendi
que a superfície não me cabe mais, escolha minha. Cansei de ser surda e
cega. Viver não pode ser apenas um plano de metas para tantos futuros que estão
por vir. Como uma jovem pode confiar em um adulto que lhe arranca seu sonho?
Talvez, revendo revistando suas próprias experiências de uma formação
educacional que deforma nossos sonhos.
Partirei do
seguinte ponto: Por que Nelson Mandela
exerce tanto fascínio? Não imagino tal líder, gritando com uma criança ou
desacreditando de um jovem. Até porque paramos para escutar Nelson Mandela,
porque ele ainda tinha algo a nos falar. E nós temos algo a falar as novas
gerações?
No mês de
dezembro, quando soube que meu visto havia sido aprovado, inicie minha viagem
“interior”, pela província de Namibe, lugar este que
embarcaria no dia 12 de janeiro de 2014, a convite do educador Serrano Freire.
Nessa província eu encontraria com pessoas que perderam seus entes queridos e seus “bens”
durante a longa guerra civil. Uau! O que eu buscaria na África? Além de
pesquisas on-line fiz um passeio pela autobiografia de Nelson Mandela “Um longo caminho para a liberdade” do
jornalista Ricardo Stengel
e comecei a preparar o encontro que eu teria com 1.100 educadores, durante três
dias. Meu tema seria: Conflito de gerações: tecendo pontos e desatando nós.
Vale
ressaltar, que desde aquela viagem, o mistério da vida mudou e quem dirá o
sentido de educar. Entendi para além das teorias, o que, alguns chamam de
inteligência emocional. Foi naquela província de Angola, em Namibe, segundo maior deserto do
mundo, que eu me dei conta do que eu sentia e o que eu faria com tais
sentimentos e penso que isso é o que muitos chamam de inteligência emocional,
tão divulgada e acolhida na educação. Eu sabia por que eu estava ali,
reconhecia meus sentimentos e teria de aprender adequá-los em uma realidade tão
diferente da minha, sem perder meu foco no que fui fazer ali.
Em Namibe,
escutei diversas pessoas, que por algum motivo, tinham tudo para desistir da
vida, das suas escolhas e principalmente da educação, mas não foi isso que
percebi, elas não desistiam, e nos levavam orgulhosamente para conhecer ex-campos
de guerras, onde boa parte de seus ascendentes haviam sumido. Mas eles estavam
vivos e tinham que seguir firmes o que as gerações anteriores haviam
conquistado para eles.
Percebi ali, o sentido da mobilização que tanto me falo meu amigo educador Bernard Charlot,
algo que acontece de dentro para fora, desejo que não cessa. Meus amigos
angolanos, tinham uma causa por que
lutar e essa causa era e é a Educação, lutariam pelas suas raízes, pelas suas
histórias, mesmo que muitas delas tivessem sido interrompidas antes do
“término”. O que eu mais escutava deles era: “Aqui esta nossa terra, campo
sagrado”. E minha aprendizagem começou.
Toda vez que
uma pessoa mais velha se sentava em nossa mesa, os mais jovens o escutavam,
como quem escuta sua mais bela melodia e a única voz que conduzia a conversa, era
a voz do mais velho, entre histórias e lágrimas, íamos tendo a oportunidade de
escutar as mais tristes barbáries de uma guerra civil, jamais imaginada por nós
e também a possibilidade de superação humana frente a tantas perdas.
Os ensinamentos
se deram dia após dia, em alguns momentos eu me perguntava: A que
vim ensinar aqui?
Já no segundo
dia naquele “paraíso” perdido, seria minha conferência e confesso que nunca me
senti tão insegura com meu discurso. O cenário era um grande teatro, com todos
educadores uniformizados com camisas vermelhas e amarelas, além dos bonés e o
sorriso estampado naqueles rostos até então anônimos. Subi naquele palco,
tremendo e comecei a falar, tecer palavras em frases e enredos. Ao final, fui
aplaudida e a única coisa que me lembro de ter falado foi: “Eu prometo que me esforçarei para ser uma
educadora melhor, que não esquecerei jamais minha causa”. Falar é uma arte
de ser acolhida e naquele dia não segui meu protocolo, segui meu coração e
confesso: Acho que dei minha uma boa conferencia.
Ao sair do
auditório, conversei com vários nativos, mas o que Yasmin me falou, ressoa até
hoje: - “Hoje somos livres, mas ainda não sabemos voar, mas voaremos, um dia...
como Nelson Mandela nos ensinou”.
Não me lembro
de ter me emocionado tanto, com frases, que eu já havia visto em filmes e lido
em livros. Que sensação boa eu sentia. Eu só me lembrava do Brasil, homens e
mulheres correndo atrás de cumprir suas agendas. Segui, naquele tempo com tempo
para o Hotel, quando, escutei alguém me chamar. Era o educador Roberto, um
jovem negro de 26 anos: - Professora olha aqui, estou engraxando meus sapatos,
para o encontro da tarde, a senhora e eu merecemos. O que pensar? Não pensei,
apenas senti.
E dia após
dia, eu fui entendendo tudo aquilo que não sou e gostaria de ser.
Dia após dia,
me pergunto: Porque corremos tanto?
E hoje, o que
sei é que aqueles rostos, antes anônimos, HOJE, tem nome.
JANE PATRICIA HADDAD
REVENDO 2014 Entendi...
Revendo o ano de 2014, entendo que não temos o poder que achamos que temos;
A vida é instante;
O amor é algo que não se explica, sente-se;
Filhos são nossa essência, sejam eles biológicos ou de coração;
Luto, é de cada um;
Sorrir, nem sempre é sinônimo de felicidade;
O ano de 2014, me ensinou muito.
Entendi, que nada é eterno, eterno é apenas um piscar de olhos!
Revendo 2014, entendi que sou FORTE e algo em outro plano me ajuda, me orienta e me faz uma pessoa melhor. Assim, sigo com coragem para 2015.
#janepatriciahaddad
domingo, 5 de outubro de 2014
terça-feira, 16 de setembro de 2014
terça-feira, 19 de agosto de 2014
quarta-feira, 16 de abril de 2014
quarta-feira, 2 de abril de 2014
CENTRO DE ESTUDOS PSICANALÍTICOS DE NATAL: PSICOPATOLOGIA PSICANALÍTICA E CLÍNICA CONTEMPORÂN...
CENTRO DE ESTUDOS PSICANALÍTICOS DE NATAL: PSICOPATOLOGIA PSICANALÍTICA E CLÍNICA CONTEMPORÂN...: Carga Horária: 8 horas - Prazo de 30 dias para entregar o Estudo dirigido. 1. Psicopatologia: a) Eti...
domingo, 16 de março de 2014
quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014
Provincia do Namibe (ANGOLA)
Debater ideias educacionais com pessoas que se superam a cada dia, é um privilégio. Certezas, não me pertencem. Aprendi muito e trago na minha bagagem; olhares; contradições e muito desejo em continuar.
Quem sou eu na minha caminhada?
O que falo... a Palavra em movimento é a unica certeza até o momento.
Que venham outros desafios! Paz!
Escrever, uma conquista, oferecer um sentimento de GRATIDÃO...isso sim, me move sempre.
Quem sou eu na minha caminhada?
O que falo... a Palavra em movimento é a unica certeza até o momento.
Que venham outros desafios! Paz!
Escrever, uma conquista, oferecer um sentimento de GRATIDÃO...isso sim, me move sempre.
terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
Província do Namibe
Uma Experiência de um "lugar Vasto"
Crianças antes anônimas, hoje passam a ter nome... Yasmin, Ana, Paulo... Olhares que conheci e jamais vou esquecer.
Crianças que sorriem com os olhos e conseguem comunicar o que as palavras não conseguem. Isso é uma experiência que jamais vou esquecer!
quinta-feira, 15 de novembro de 2012
domingo, 4 de novembro de 2012
Educar: Uma Escolha!
“Diante de tantas mudanças e avanços,
embora não pareça, a escola passa a ser um referencial ainda maior para alunos
e suas ‘novas’ famílias.”
A Educação encontra-se diante da impossibilidade de tudo saber e
responder, não há certezas prontas e acabadas, o momento atual nos convida a
fazer uma passagem, da certeza à incerteza. Das respostas prontas a perguntas
em aberto. Vivemos um momento de travessia, com novas configurações familiares,
aumento significativo da violência, avanço da tecnologia, mudanças e mais
mudanças.
Diante de tantas mudanças e avanços, embora não pareça, a escola passa a
ser um referencial ainda maior para alunos e suas “novas” famílias, lembrando
que a escola é habitada por pessoas que também estão em processo de mudança.
Mudança sugere outra forma de pensar, agir e interpretar, olhar o
cenário atual é reinterpretar os sinais visíveis e invisíveis; professores
desanimados, alunos apáticos, famílias ausentes, escolas depredadas, uma
educação em aberto.
Falar de educação é falar de vida, pessoas e relações que se estabelecem
em um tempo e espaço.
Nessa perspectiva, proponho um revisita à nossa própria infância: na
minha em especial ... Poucas lembranças habitam minha memória, porém, uma é
presente: o CUIDADO das minhas, das suas, das nossas necessidades básicas, as
de uma criança totalmente em estado de dependência. Chegamos ao mundo sem saber
ao certo de onde viemos, onde estamos e para onde vamos. Aos poucos, marcas vão
sendo parte de nossa história, compondo uma memória afetiva. Lembranças vagas:
a forma em que fomos recebidos; o calor humano ou a frieza de alguém que apenas
nos recebeu; o tom de voz em forma de melodia ou o grito desesperado; a
primeira alimentação ou a privação do alimento; o desconforto do molhado ou o
conforto do cuidado. Um cuidado como amparo.
Passado um tempo, a total dependência vai sendo mesclada com uma
codependência (mãe - bebê), eles vão se distanciando e aos poucos aprendendo a
cuidar de si ou cada um por si - se pensarmos aqui no momento atual em que nos
encontramos. Lembranças vão sendo guardadas e substituídas por realidades,
presença e ausência se misturam. “Nós, adultos, não compreendemos nossa própria
infância” (Freud 1886, p. 10).
Nesse momento de codependência ou coausência, saímos do ambiente
primário seguindo rumo ao secundário, ao nosso segundo mundo: a ESCOLA, uma
instituição que ouvimos falar ser segura. É lá que iremos aprender a ler, fazer
contas, brincar, conhecer pessoas novas e conhecer a querida professora.
Segundo Meyer (2002, p. 8 ), quando a criança chega à escola, ela já traz
consigo suas primeiras vivências com o saber apreendido em casa, suas relações
com seus primeiros objetos de amor, seus pais.
Sendo assim, a escola passa a ser para a criança a continuidade de suas
primeiras vivências em casa, que servirá como peça fundamental para o processo
ensino-aprendizagem.
A aprendizagem no ambiente da Escola
Na perspectiva psicanalítica, a aprendizagem não foca os conteúdos, e sim o campo (vínculo) que se estabelece entre professor e aluno, o que pode favorecer ou não a condição para o aprender, independente dos conteúdos apresentados. Portanto, é importante compreender a transferência como “fenômeno universal da mente humana (...)” e que “domina o todo das relações de cada pessoa com seu ambiente humano” (Freud, 1976, p. 56). Um processo inconsciente, que pode se manifestar em sentimentos afetuosos e/ou hostis, que aparentemente podem não ter uma justificativa real, lógica. Muitas vezes são desafetos dirigidos ao professor, que não dizem respeito a ele e sim ao “lugar” que ele ocupa, ou ao que ele representa no discurso. Só assim o professor pode se tornar a figura a quem serão endereçados os interesses dos alunos.
Na perspectiva psicanalítica, a aprendizagem não foca os conteúdos, e sim o campo (vínculo) que se estabelece entre professor e aluno, o que pode favorecer ou não a condição para o aprender, independente dos conteúdos apresentados. Portanto, é importante compreender a transferência como “fenômeno universal da mente humana (...)” e que “domina o todo das relações de cada pessoa com seu ambiente humano” (Freud, 1976, p. 56). Um processo inconsciente, que pode se manifestar em sentimentos afetuosos e/ou hostis, que aparentemente podem não ter uma justificativa real, lógica. Muitas vezes são desafetos dirigidos ao professor, que não dizem respeito a ele e sim ao “lugar” que ele ocupa, ou ao que ele representa no discurso. Só assim o professor pode se tornar a figura a quem serão endereçados os interesses dos alunos.
A transferência se produz quando o desejo de saber do aluno se liga à
pessoa do professor (com seu desejo de ensinar). O momento a que somos chamados
diante desse quadro é o da coresponsabilidade, já que é na relação que se
estabelece entre professor e aluno que pode ocorrer uma disponibilidade ao
aprender.
O mal-estar que vem se instalando entre professores e alunos passa pelo
endereçamento pessoal, ou seja, tomar a agressão para si é um erro que
cometemos diariamente em nossas salas de aula e até mesmo em nossa vida
pessoal.
De que modo é possível restabelecer o vínculo entre professor aluno?
Reconhecer a importância de se diminuir o mal-estar nas escolas é buscar
repensar um discurso que vem sendo sustentado em queixas e lamúrias. E levar em
conta que o mal-estar é inerente ao ser humano, ele sempre estará presente.
Acredito que se pode propor uma reconciliação do possível com o
desejável, do desejo de querer ser Professor, além do "estar
professor" até que algo melhor apareça. Ser educador na atualidade é
resgatar e legitimar seu lugar. Ser professor em um momento de tantas mudanças
é perguntar-se: desejo ser educador? Estou a serviço de quem?
Quero ajudar a formar que tipo de sujeito?
O momento atual convida professores a mudarem de posição, saírem da
queixa e passarem para a responsabilidade, ousar e reinventar uma nova forma de
relacionarem-se consigo mesmo e com seus alunos. Saírem do lugar de espera: de
serem cuidados, ora pela escola, ora pelo diretor, ora pelo médico, ora pela
família. Esse cuidado deve vir de si, em primeiro lugar, para depois vir do
outro.
Há uma urgência de um reposicionamento, cada um assumindo um lugar de
autocuidado.
Existe um campo possível, o campo do autocuidado, para passarmos do
eu-eu para eu-outro. Um cuidado que pode fazer uma conexão entre o possível e o
desejável, como um começo para se pensar alternativas de sair do
“mal-estar" educacional que vem afetando professores e alunos sob a forma
de adoecimento. “Adoece o sujeito, por não conseguir simbolizar o mal-estar,
não conseguir transformá-lo em palavras” (Diniz,1998, p. 206). Esse mal-estar
estará evidente no discurso de professores, alunos, pedagogos e gestores se
forem criadas oportunidades de escuta.
Repensar educação é começar a interrogar o mundo. De onde vem tanto
fracasso escolar? Por que os alunos não aprendem na escola e, sim, fora dela? O
que estamos ensinando?
Como olhar para o mundo
Olhar para o mundo hoje é aceitarmos que tudo é possível, o tempo-espaço mudou, no entanto, a educação ainda tateia seu lugar. Como compreender uma educação, um aluno, um processo, se muitas vezes não entendemos nossa própria origem?
Olhar para o mundo hoje é aceitarmos que tudo é possível, o tempo-espaço mudou, no entanto, a educação ainda tateia seu lugar. Como compreender uma educação, um aluno, um processo, se muitas vezes não entendemos nossa própria origem?
Passeando por alguns pontos que me chamam atenção como educadora,
observo que desde cedo pais e professores demandam que as crianças aprendam em
determinado tempo e espaço. Prometem a elas que, ao estudarem, tirarem boas
notas e serem bem comportadas, elas serão “bem sucedidas” na vida futura. Pode
até ser, mas isso não é mais garantia. Defendo a ideia de que o tempo presente
é que necessita ser repensado e reinterpretado. No futuro o ser bem-sucedido
pode sim acontecer, porém, em sua relação com o tempo presente.
Enquanto a educação persistir em preparar o aluno para o futuro
longínquo, para o mercado de trabalho mutante, ou mesmo classificando-o como
fraco ou forte, vitorioso ou fracassado, do bem e do mal, continuaremos
compactuando com uma educação como fim e não como meio.
Como proclamar novos discursos demagógico-pedagógicos, se crianças e
jovens continuam sendo enfileirados, etiquetados e impostos a normas e regras
rígidas, que nem eles mesmos reconhecem?
Na relação do aluno com o professor nem sempre há algo intencional, por
parte deles, e sim um pedido de ajuda, uma fala solta, um olhar
"pedinte". Acredito que tanto a Psicanálise quanto a educação podem
propor uma reconciliação do possível com o desejável, uma forma de construir
algo novo, partindo das relações subjetivas, do desejo de saber (aprender).
Como diz Bernard Charlot (2000, p. 82), “a relação com o saber é o próprio
sujeito, na medida em que deve aprender, apropriar-se do mundo, construir-se. E
por que não a relação do cuidar de si para cuidar do outro”?
Afinal, de que educação tanto falamos?
Referências:
CHARLOT, Bernard. Da relação com o saber – elementos para uma teoria. Porto Alegre: Artmed, 2000.
CHARLOT, Bernard. Da relação com o saber – elementos para uma teoria. Porto Alegre: Artmed, 2000.
DINIZ. “O mal-estar das mulheres professoras”. In: Lopes EMT ET AL. (Orgs): A Psicanálise Escuta a Educação. Belo
Horizonte: Autentica,1998.
FREUD, Sigmund. "O mal-estar na civilização". In: ESB, vol.
XXI. Brasileira. Rio de Janeiro: Imago, 1976
Por Jane Patrícia Haddad
*Jane Patricia Haddad é pedagoga, com especialização em
Psicopedagogia, Docência do Ensino Superior e Psicanálise. Atuou por mais de 20
anos em escolas como professora, coordenadora pedagógica e diretora, é
consultora institucional e conferencista. Autora dos livros: “Educação e
Psicanálise: Vazio existencial” e “O Que Quer a Escola: Novos Olhares resultam
em Outras Práticas”, ambos publicados pela editora Wak, do Rio de Janeiro.
Atualmente cursa o Mestrado em Educação na Universidade Tuiuti no Paraná, onde
seu tema de pesquisa é a Indisciplina Escolar
quarta-feira, 25 de julho de 2012
Uma Entrevista que desacomoda!
DOMINGO, 15 DE JULHO DE 2012
Educar é preciso
Entrevista interessantíssima com a pedagoga Jane Haddad para quem gosta da área da Educação.
Fonte: Revista Escola Particular - SIESP | Ano 15 - Nº 171 - Junho 2012
Pedagoga pela PUC - MG, Jane Haddad também é especialista em Psicopedagogia (UNI-BH), cursou Docência do Ensino Superior pela Newton Paiva e Formação em Psicanálise (Círculo Psicanalítico de Minas Gerais), além da Psicanálise Hospitalar (Hospital Mater Dei - MG).
Mas sua experiência não é apenas acadêmica, Jane atuou por mais de 20 anos em escolas como professora, coordenadora pedagógica e diretora. É palestrante e conferencista em eventos educacionais no Brasil e exterior. Com o tema “O Que Quer a Escola: Novos Olhares resultam em Outras Práticas”, ela esteve no Congresso Saber do ano passado. E ela volta neste ano, para participar de uma a roda de conversa sobre os novos arranjos familiares e os desafios escolares decorrentes.
Escola Particular - Quem é o aluno contemporâneo e como lidar com ele?
Jane Haddad - É o jovem que já chega completamente conectado com o mundo. Ele recebe muita informação, porque vive na Era da Informação. Porém, muitos alunos não sabem o que fazer com o que recebem. Esse aluno contemporâneo tem uma cultura própria, que precisa ser trazida para dentro da escola. Isso não significa descer ao seu nível, mas elevá-lo ao nível da escola, pois o nosso desafio é ajudá-lo a transformar essas informações em conhecimento.
Pedagoga pela PUC - MG, Jane Haddad também é especialista em Psicopedagogia (UNI-BH), cursou Docência do Ensino Superior pela Newton Paiva e Formação em Psicanálise (Círculo Psicanalítico de Minas Gerais), além da Psicanálise Hospitalar (Hospital Mater Dei - MG).
Mas sua experiência não é apenas acadêmica, Jane atuou por mais de 20 anos em escolas como professora, coordenadora pedagógica e diretora. É palestrante e conferencista em eventos educacionais no Brasil e exterior. Com o tema “O Que Quer a Escola: Novos Olhares resultam em Outras Práticas”, ela esteve no Congresso Saber do ano passado. E ela volta neste ano, para participar de uma a roda de conversa sobre os novos arranjos familiares e os desafios escolares decorrentes.
Escola Particular - Quem é o aluno contemporâneo e como lidar com ele?
Jane Haddad - É o jovem que já chega completamente conectado com o mundo. Ele recebe muita informação, porque vive na Era da Informação. Porém, muitos alunos não sabem o que fazer com o que recebem. Esse aluno contemporâneo tem uma cultura própria, que precisa ser trazida para dentro da escola. Isso não significa descer ao seu nível, mas elevá-lo ao nível da escola, pois o nosso desafio é ajudá-lo a transformar essas informações em conhecimento.
EP - Como esse aluno associa as informações que recebe?
JH - Precisamos pensar não apenas nas informações, mas na formação que ele traz de casa e considerar essa questão a partir do âmbito familiar, para depois trazê-lo ao público. Algo que me preocupa bastante é o fato de ser um aluno muito passivo. Embora se reclame muito da violência de alguns, percebo que o seu comportamento em sala de aula, em relação ao aprendizado, é de passividade: ele não fala, não se manifesta, nem argumenta. Ele se posiciona no mundo, mas se mostra apático na escola. Quando você diz para um jovem que ele tirou um zero na prova, invariavelmente, sua resposta se resume a um “aham”. Se você pergunta para ele: ‘então, você não vai ser ninguém?’ E ele dá de ombros, mostrando que não tá nem aí!
EP - Falta comunicação entre alunos e professores?
JH - É engraçado. Alguns alunos não conversam com os educadores em sala de aula, mas quando chegam da escola eles acessam as redes sociais e, ali, se conectam aos professores. E a razão dessa preferência é simples. Conectar-se pela rede é mais fácil, por não ter contato presencial. A escola deve repensar as maneiras de interação e o modo de enxergar esse aluno contemporâneo.
EP - Pode citar algum exemplo?
JH - Há vários bons exemplos. Um deles pode ser o aluno que faz um trabalho pela manhã e, quando chega a tarde, encontra o produto final postado no “face”. Isso é muito positivo quando mediado por um adulto, por promover aproximação entre alunos e professores, e destes com os familiares dos seus alunos. Mas, por outro lado, essa interatividade pode ter um péssimo uso.
Soube de uma escola que puniu o aluno porque ele não curtiu uma postagem, manifestando seu descontentamento por meio de um comentário. Isso é outra coisa a ser pensada.
A escola deve entender qual é o objetivo das redes sociais, pois o bom uso vai aproximar, na mesma medida em que o mau uso vai separar o aluno da escola. E não posso punir um aluno porque ele se manifestou de modo contrário. Devo trazer o seu ponto de vista para uma discussão presencial, porque o ambiente virtual tem a sua importância, mas não se pode perder a essência do contato olho no olho.
JH - Precisamos pensar não apenas nas informações, mas na formação que ele traz de casa e considerar essa questão a partir do âmbito familiar, para depois trazê-lo ao público. Algo que me preocupa bastante é o fato de ser um aluno muito passivo. Embora se reclame muito da violência de alguns, percebo que o seu comportamento em sala de aula, em relação ao aprendizado, é de passividade: ele não fala, não se manifesta, nem argumenta. Ele se posiciona no mundo, mas se mostra apático na escola. Quando você diz para um jovem que ele tirou um zero na prova, invariavelmente, sua resposta se resume a um “aham”. Se você pergunta para ele: ‘então, você não vai ser ninguém?’ E ele dá de ombros, mostrando que não tá nem aí!
EP - Falta comunicação entre alunos e professores?
JH - É engraçado. Alguns alunos não conversam com os educadores em sala de aula, mas quando chegam da escola eles acessam as redes sociais e, ali, se conectam aos professores. E a razão dessa preferência é simples. Conectar-se pela rede é mais fácil, por não ter contato presencial. A escola deve repensar as maneiras de interação e o modo de enxergar esse aluno contemporâneo.
EP - Pode citar algum exemplo?
JH - Há vários bons exemplos. Um deles pode ser o aluno que faz um trabalho pela manhã e, quando chega a tarde, encontra o produto final postado no “face”. Isso é muito positivo quando mediado por um adulto, por promover aproximação entre alunos e professores, e destes com os familiares dos seus alunos. Mas, por outro lado, essa interatividade pode ter um péssimo uso.
Soube de uma escola que puniu o aluno porque ele não curtiu uma postagem, manifestando seu descontentamento por meio de um comentário. Isso é outra coisa a ser pensada.
A escola deve entender qual é o objetivo das redes sociais, pois o bom uso vai aproximar, na mesma medida em que o mau uso vai separar o aluno da escola. E não posso punir um aluno porque ele se manifestou de modo contrário. Devo trazer o seu ponto de vista para uma discussão presencial, porque o ambiente virtual tem a sua importância, mas não se pode perder a essência do contato olho no olho.
EP - Há pouco tempo, nos EUA, alunos foram proibidos de ter professores entre seus amigos nas redes sociais. O que acha disso?
JH - Deve existir bom senso. Não cabe a um professor se comunicar com uma aluna às 2h da manhã! O professor não pode tratar questões de caráter pessoal com seus alunos. O ambiente virtual é um dispositivo que permite ao professor captar informações úteis sobre os alunos e serve como um auxílio para seu trabalho dentro da sala de aula. Mas quando se perde o senso de propósito dessa ferramenta, a coisa desanda. E ambos [professores e alunos] ficam expostos aos riscos que a gente já conhece.
O adulto deve lembrar que é um adulto. Ao conversar com uma menina de 10 anos, o professor deve entender o que se passa na cabeça dela. Se ele comenta o quanto ela está linda, a chance dessa menina entender que seu professor está apaixonado por ela é muito grande.
EP - E quais são os benefícios da comunicação via redes?
JH - Como falei, existe a vantagem de se abrir um canal de leitura. Por meio dele, fica mais fácil perceber o que seu aluno está te dizendo, aquilo que ele anseia. Então, o professor pode usar
essa leitura ao trabalhar com os demais alunos, de modo presencial. Tudo o que é novo pode ser usado contra ou a nosso favor. Mas eu sou muito a favor.
Esse é o mundo deles. O problema é que eles não refletem, mas a escola pode ajudá-los nesse sentido.
EP - E como ministrar aulas que estimulem a reflexão?
JH - Enquanto a escola trouxer coisas prontas para os alunos, não haverá motivação. Eles já estão conectados há muito tempo, bem antes de nós.
A escola ainda está desconectada.
E não basta que o professor use as ferramentas tecnológicas por obrigação. Igualmente, não é uma questão de banalizar a rede, mas fazer o aluno encontrar um sentido para aquilo que ele está fazendo. Caso contrário, o professor ficará para trás. Por que não colocar alunos para ajudarem os professores a lidar com as novas tecnologias? Podemos aprender muita coisa com eles. Por outro lado, eu sei uma coisa que alguns deles desconhecem: o perigo da internet. Porque isso é um vício. Uma janela abre a outra, que abre a outra, que abre a outra. Isso é uma coisa que posso ensinar a eles, assim como ensinar a administrar o tempo gasto na rede ou outros conhecimentos que lhe faltam.
JH - Deve existir bom senso. Não cabe a um professor se comunicar com uma aluna às 2h da manhã! O professor não pode tratar questões de caráter pessoal com seus alunos. O ambiente virtual é um dispositivo que permite ao professor captar informações úteis sobre os alunos e serve como um auxílio para seu trabalho dentro da sala de aula. Mas quando se perde o senso de propósito dessa ferramenta, a coisa desanda. E ambos [professores e alunos] ficam expostos aos riscos que a gente já conhece.
O adulto deve lembrar que é um adulto. Ao conversar com uma menina de 10 anos, o professor deve entender o que se passa na cabeça dela. Se ele comenta o quanto ela está linda, a chance dessa menina entender que seu professor está apaixonado por ela é muito grande.
EP - E quais são os benefícios da comunicação via redes?
JH - Como falei, existe a vantagem de se abrir um canal de leitura. Por meio dele, fica mais fácil perceber o que seu aluno está te dizendo, aquilo que ele anseia. Então, o professor pode usar
essa leitura ao trabalhar com os demais alunos, de modo presencial. Tudo o que é novo pode ser usado contra ou a nosso favor. Mas eu sou muito a favor.
Esse é o mundo deles. O problema é que eles não refletem, mas a escola pode ajudá-los nesse sentido.
EP - E como ministrar aulas que estimulem a reflexão?
JH - Enquanto a escola trouxer coisas prontas para os alunos, não haverá motivação. Eles já estão conectados há muito tempo, bem antes de nós.
A escola ainda está desconectada.
E não basta que o professor use as ferramentas tecnológicas por obrigação. Igualmente, não é uma questão de banalizar a rede, mas fazer o aluno encontrar um sentido para aquilo que ele está fazendo. Caso contrário, o professor ficará para trás. Por que não colocar alunos para ajudarem os professores a lidar com as novas tecnologias? Podemos aprender muita coisa com eles. Por outro lado, eu sei uma coisa que alguns deles desconhecem: o perigo da internet. Porque isso é um vício. Uma janela abre a outra, que abre a outra, que abre a outra. Isso é uma coisa que posso ensinar a eles, assim como ensinar a administrar o tempo gasto na rede ou outros conhecimentos que lhe faltam.
EP - Mas as novas tecnologias não resolvem tudo, certo?
JH - Não se deve esquecer que também é importante ler um livro, desenvolve r ideias no papel ou ter contato com uma obra de arte. Falta muita reflexão ao jovem de hoje. As propagandas na TV são um bom exemplo disso.
Elas trazem a seguinte mensagem : para um a pessoa s e r u m sucesso na vida, deve ser jovem ou ter alguma coisa que ainda não comprou. E qual é a reflexão que o jovem faz sobre isso? Antigamente, as moças sonhavam com um baile de debutantes quando completassem 15 anos de idade. Hoje, sonham com 300 ml de silicone.
EP - Nesse caso, não falta orientação por parte da família?
JH - Às vezes se ouve falar de família ausente. Quantos já pararam para pensar com qual família estamo s lidando? Precisamos saber qual é o perfil da minha escola. Ao marcar uma reunião de pais, preciso saber quem é a família com quem eu estou lidando. Embora tenha ido uma mãe extremamente presente, não gostava de ir às reuniões de pais, porque eu sabia que iria escutar sobre atrasos, avaliações, atividades, etc. Sinceramente, esse é um modelo que deve ser repensado. Precisamos fazer um mapeamento da família e saber aonde eles vão ou do que eles gostam, para planejar algo que venha ao encontro da família. O trabalho não deve focar apenas os alunos, mas suas famílias.
A família que conheci lá atrás é a mesma de hoje? Porque se eu planejo uma reunião de pais tendo em vista a família que conheci lá atrás, eles continuarão ausentes.
EP - E a questão da indisciplina escolar? O déficit de atenção piora o problema?
JH - A indisciplina só existe quando há rompimento da ordem. Quando uma regra é imposta de modo arbitrário, como a proibição do uso de bonés – algo que faz parte da composição de alguns adolescentes – existe uma quebra no relacionamento entre o adolescente e a escola. E não quero dizer que sou contra ou a favor ao uso do boné. Trata-se apenas de uma reflexão. Qual a interferência do boné na aprendizagem do aluno? Se isso vai mudar a forma de mediar esse aluno, que seja uma regra. Contudo, se não há sentido na proibição, deve-se pensar num bom motivo para restringir seu uso. Precisamos aprofundar mais as reflexões e sair um pouco do modismo. A gente discute tudo, mas de modo superficial, sem se aprofundar.
Quanto ao que alguns dizem ser déficit de atenção, quero lembrar uma cena comum aos nossos jovens. Eles falam ao celular ao mesmo tempo em que falam com você no MSN, fazem pesquisa no Google e ainda conseguem jogar no computador. Para mim, isso não representa um déficit de atenção. Eu tenho déficit de atenção em ver um a aula d e 45 minutos, o que não faz sentido nenhum para mim.
JH - Não se deve esquecer que também é importante ler um livro, desenvolve r ideias no papel ou ter contato com uma obra de arte. Falta muita reflexão ao jovem de hoje. As propagandas na TV são um bom exemplo disso.
Elas trazem a seguinte mensagem : para um a pessoa s e r u m sucesso na vida, deve ser jovem ou ter alguma coisa que ainda não comprou. E qual é a reflexão que o jovem faz sobre isso? Antigamente, as moças sonhavam com um baile de debutantes quando completassem 15 anos de idade. Hoje, sonham com 300 ml de silicone.
EP - Nesse caso, não falta orientação por parte da família?
JH - Às vezes se ouve falar de família ausente. Quantos já pararam para pensar com qual família estamo s lidando? Precisamos saber qual é o perfil da minha escola. Ao marcar uma reunião de pais, preciso saber quem é a família com quem eu estou lidando. Embora tenha ido uma mãe extremamente presente, não gostava de ir às reuniões de pais, porque eu sabia que iria escutar sobre atrasos, avaliações, atividades, etc. Sinceramente, esse é um modelo que deve ser repensado. Precisamos fazer um mapeamento da família e saber aonde eles vão ou do que eles gostam, para planejar algo que venha ao encontro da família. O trabalho não deve focar apenas os alunos, mas suas famílias.
A família que conheci lá atrás é a mesma de hoje? Porque se eu planejo uma reunião de pais tendo em vista a família que conheci lá atrás, eles continuarão ausentes.
EP - E a questão da indisciplina escolar? O déficit de atenção piora o problema?
JH - A indisciplina só existe quando há rompimento da ordem. Quando uma regra é imposta de modo arbitrário, como a proibição do uso de bonés – algo que faz parte da composição de alguns adolescentes – existe uma quebra no relacionamento entre o adolescente e a escola. E não quero dizer que sou contra ou a favor ao uso do boné. Trata-se apenas de uma reflexão. Qual a interferência do boné na aprendizagem do aluno? Se isso vai mudar a forma de mediar esse aluno, que seja uma regra. Contudo, se não há sentido na proibição, deve-se pensar num bom motivo para restringir seu uso. Precisamos aprofundar mais as reflexões e sair um pouco do modismo. A gente discute tudo, mas de modo superficial, sem se aprofundar.
Quanto ao que alguns dizem ser déficit de atenção, quero lembrar uma cena comum aos nossos jovens. Eles falam ao celular ao mesmo tempo em que falam com você no MSN, fazem pesquisa no Google e ainda conseguem jogar no computador. Para mim, isso não representa um déficit de atenção. Eu tenho déficit de atenção em ver um a aula d e 45 minutos, o que não faz sentido nenhum para mim.
EP - Entrando no assunto do próximo Congresso Saber, você entende que falta a imposição de limites?
JH - Primeiramente, vamos pensar na falta de limites físicos. Dentro de uma casa com três filhos pode acontecer de a família ter três televisões, além do quarto aparelho, que é dos pais. Então, cada um vai para o seu quarto, que é o seu limite físico, e vê o que quer. Se todos se sentarem juntos diante da mesma TV, vai ter briga, porque não existe consenso. Um exemplo desses parece que não tem nada a ver, mas tem. Avançando nesse raciocínio, podemos analisar a maneira como os filhos entram no quarto dos pais, como eles se deitam, se levam a namorada para transar em casa, etc. É um microcosmo. Já ouvi um professor indagar a razão de um aluno comer à mesa usando boné. Não sabemos se isso é um princípio da família, mas alguns vão dizer que isso acontece porque a família não impõe limites.
EP - Para você, o que é impor limite?
JH - Entendo ser a fronteira entre o pode e não pode; entre o público e o privado. Alguns dizem que essa geração não tem limites. Será que a nossa geração tem? Basta andar por um aeroporto para ver pessoas da nossa geração falando ao celular quando não podem, ocupando três assentos enquanto há pessoas de pé, ou ocupando uma vaga de deficiente. Elas também não têm limites. Será que isso não tem a ver com a educação?
Concordo que a geração atual não tem certos limites, mas eles são frutos de uma geração cheia de culpas. São pais que passam o dia inteiro fora e entendem ser necessário dar tudo o que os filhos querem para ser feliz. O grande desafio é encontrar um ponto de equilíbrio. Venho de uma geração em que nada podia. Lá atrás, não podia manifestar meu pensamento livremente. Hoje, porém, o jovem pode se manifestar, mas não tem um projeto de vida. Lá atrás, quando alguém dizia um não para um adolescente, ele decidia adiar um prazer ou uma satisfação.
A partir desse não que ele recebia, surgiam desejos e expectativas; e isso levava à criação de um projeto. Eu não vejo isso no jovem de hoje.
EP - O jovem não sonha?
JH - Sonha. Porém, somente para o hoje. Já ouvi alguns jovens dizerem que seu sonho é ser um Big Brother. Em uma formatura, um jovem de 24 anos disse que o amanhã não existe e o importante é viver intensamente o dia de hoje.
EP - Faltam bons modelos à juventude?
JH - Percebo que o professor não é mais a referência que costumava ser para os alunos. Eu me lembro da minha primeira professora e de quantos alunos foram influenciados de modo positivo pelos seus educadores! Nos dias de hoje, ai de um aluno se ele disser que quer ser um professor. O próprio educador é o primeiro a repreendê-lo, ao perguntar: “Você tá louco? Quer levar a vida que eu levo?”. E eu te pergunto, quem é que passa o maior tempo com o aluno? É o professor. Mas existe uma luz.
EP -E qual é?
JH - A saída é participar de eventos como o [Congresso] Saber, em que você encontra especialistas de várias áreas, formulando novas questões. É o que falei na minha palestra: quanto menos resposta , melhor !
Precisamos de novas perguntas, novos questionamentos. Alguns dizem que a família está ausente. Tudo bem, mas as respostas para isso eu já sei. Aquilo que eu ainda não sei, porém, é a resposta que devo buscar. Isso só acontece quando se formulam novas perguntas. Podemos perguntar, no caso da família, com quem estamos lidando. Precisamos de mais perguntas, mais reflexões e menos receitinhas. Mas não temos as respostas hoje. E quem diz ter as respostas está equivocado. As pesquisas que são feitas, as estatísticas apresentadas e os dados apurados nos ajudam a chegar perto, mas não temos tantas respostas como se propaga por aí. O Congresso Saber é uma oportunidade. São dezenas de atividades para beneficiar o educador.
Eu venho ao Saber para que também possa aproveitar essa oportunidade única de conhecer mais.
JH - Primeiramente, vamos pensar na falta de limites físicos. Dentro de uma casa com três filhos pode acontecer de a família ter três televisões, além do quarto aparelho, que é dos pais. Então, cada um vai para o seu quarto, que é o seu limite físico, e vê o que quer. Se todos se sentarem juntos diante da mesma TV, vai ter briga, porque não existe consenso. Um exemplo desses parece que não tem nada a ver, mas tem. Avançando nesse raciocínio, podemos analisar a maneira como os filhos entram no quarto dos pais, como eles se deitam, se levam a namorada para transar em casa, etc. É um microcosmo. Já ouvi um professor indagar a razão de um aluno comer à mesa usando boné. Não sabemos se isso é um princípio da família, mas alguns vão dizer que isso acontece porque a família não impõe limites.
EP - Para você, o que é impor limite?
JH - Entendo ser a fronteira entre o pode e não pode; entre o público e o privado. Alguns dizem que essa geração não tem limites. Será que a nossa geração tem? Basta andar por um aeroporto para ver pessoas da nossa geração falando ao celular quando não podem, ocupando três assentos enquanto há pessoas de pé, ou ocupando uma vaga de deficiente. Elas também não têm limites. Será que isso não tem a ver com a educação?
Concordo que a geração atual não tem certos limites, mas eles são frutos de uma geração cheia de culpas. São pais que passam o dia inteiro fora e entendem ser necessário dar tudo o que os filhos querem para ser feliz. O grande desafio é encontrar um ponto de equilíbrio. Venho de uma geração em que nada podia. Lá atrás, não podia manifestar meu pensamento livremente. Hoje, porém, o jovem pode se manifestar, mas não tem um projeto de vida. Lá atrás, quando alguém dizia um não para um adolescente, ele decidia adiar um prazer ou uma satisfação.
A partir desse não que ele recebia, surgiam desejos e expectativas; e isso levava à criação de um projeto. Eu não vejo isso no jovem de hoje.
EP - O jovem não sonha?
JH - Sonha. Porém, somente para o hoje. Já ouvi alguns jovens dizerem que seu sonho é ser um Big Brother. Em uma formatura, um jovem de 24 anos disse que o amanhã não existe e o importante é viver intensamente o dia de hoje.
EP - Faltam bons modelos à juventude?
JH - Percebo que o professor não é mais a referência que costumava ser para os alunos. Eu me lembro da minha primeira professora e de quantos alunos foram influenciados de modo positivo pelos seus educadores! Nos dias de hoje, ai de um aluno se ele disser que quer ser um professor. O próprio educador é o primeiro a repreendê-lo, ao perguntar: “Você tá louco? Quer levar a vida que eu levo?”. E eu te pergunto, quem é que passa o maior tempo com o aluno? É o professor. Mas existe uma luz.
EP -E qual é?
JH - A saída é participar de eventos como o [Congresso] Saber, em que você encontra especialistas de várias áreas, formulando novas questões. É o que falei na minha palestra: quanto menos resposta , melhor !
Precisamos de novas perguntas, novos questionamentos. Alguns dizem que a família está ausente. Tudo bem, mas as respostas para isso eu já sei. Aquilo que eu ainda não sei, porém, é a resposta que devo buscar. Isso só acontece quando se formulam novas perguntas. Podemos perguntar, no caso da família, com quem estamos lidando. Precisamos de mais perguntas, mais reflexões e menos receitinhas. Mas não temos as respostas hoje. E quem diz ter as respostas está equivocado. As pesquisas que são feitas, as estatísticas apresentadas e os dados apurados nos ajudam a chegar perto, mas não temos tantas respostas como se propaga por aí. O Congresso Saber é uma oportunidade. São dezenas de atividades para beneficiar o educador.
Eu venho ao Saber para que também possa aproveitar essa oportunidade única de conhecer mais.
EP - Pena que nem todos vejam dessa forma!
JH - O professor ainda não se deu conta do seu importante papel. Ele não acredita e não se vê como um agente de transformação da sociedade, embora esteja mais tempo com nossas crianças e adolescentes do que os próprios pais.
Vivemos a angústia da escolha. Antes, o professor não podia mudar de profissão. Hoje pode. Costumo dizer aos insatisfeitos: muda! É um duro e pesado convite, mas é verdadeiro. Em primeiro lugar, alguns professores devem mudar de profissão para darem a si mesmos uma chance de ser feliz.
Além disso, devem dar uma oportunidade aos seus alunos. Ninguém merece acordar todos os dias pensando que tem de ir para “aquela escola”, para dar “aquela aula”! E se o professor vai assim para a escola, coitado do seu aluno.
EP - Como está a formação dos nossos jovens? Há enfoque nos futuros cidadãos ou em preparar pessoas para o mercado de trabalho?
JH - O mercado de trabalho é muito vasto, mas está cheio de pessoa s extremamente competentes desempregadas. Isso acontece porque, diante do primeiro conflito no trabalho, elas pedem demissão. Há adolescentes que saem alardeando que o mercado está ruim. O problema é que alguns deles trabalham apenas três meses num lugar; e depois de ter um problema com o chefe ou outra pessoa, simplesmente pedem a demissão. São jovens despreparados para o mercado e para a vida.
Conheci excelentes alunos que, na hora de fazer a prova numa federal, não conseguem um bom desempenho. Eles travam. E há aqueles que se dão muito bem no mercado de trabalho, mas veem tudo como uma competição. Para estes, o outro não importa. Sua única preocupação é atingir o objetivo.
Como falar de cidadania em um projeto pedagógico quando há professores que fomentam esse comportamento? Já vi professores do Ensino Médio afirmarem para os alunos, o tempo todo, que embora sejam amigos, seus companheiros de sala são seus concorrentes no vestibular. Será essa a concepção de formação para o mercado que nós buscamos? Todos os dias, vemos quem queira derrubar o outro, ou quem deseje aparecer por causa do fracasso do outro, etc. A escola tem contribuído um pouco com esse espírito de competição, que não é saudável.
EP - A escola é culpada, então?
JH - No dia da tragédia em Realengo, quando a mídia só falava nisso, eu chorei por pensar em qual momento eu poderia ter fechado meus olhos.
Não que eu tivesse algum sentimento de culpa, mas porque eu também sou uma educadora. E a situação que antecedeu essa tragédia se repete há vários anos em muitas de nossas escolas.
Não estou buscando culpados. Não é isso. E concordo que o ocorrido em Realengo envolve um caso patológico.
Porém, aquele rapaz [Wellington] passou pela escola. Será que ninguém viu? Ninguém percebeu os sinais de comportamento? O que eu poderia ter feito por ele, como professora? Casos como esse devem servir à reflexão. Não como a mídia faz: massacrando num primeiro momento, para abandonar o assunto depois que perde o interesse.
O conflito é o tipo de situação que precisa ser contemplada na escola, com discussão em sala de aula.
JH - O professor ainda não se deu conta do seu importante papel. Ele não acredita e não se vê como um agente de transformação da sociedade, embora esteja mais tempo com nossas crianças e adolescentes do que os próprios pais.
Vivemos a angústia da escolha. Antes, o professor não podia mudar de profissão. Hoje pode. Costumo dizer aos insatisfeitos: muda! É um duro e pesado convite, mas é verdadeiro. Em primeiro lugar, alguns professores devem mudar de profissão para darem a si mesmos uma chance de ser feliz.
Além disso, devem dar uma oportunidade aos seus alunos. Ninguém merece acordar todos os dias pensando que tem de ir para “aquela escola”, para dar “aquela aula”! E se o professor vai assim para a escola, coitado do seu aluno.
EP - Como está a formação dos nossos jovens? Há enfoque nos futuros cidadãos ou em preparar pessoas para o mercado de trabalho?
JH - O mercado de trabalho é muito vasto, mas está cheio de pessoa s extremamente competentes desempregadas. Isso acontece porque, diante do primeiro conflito no trabalho, elas pedem demissão. Há adolescentes que saem alardeando que o mercado está ruim. O problema é que alguns deles trabalham apenas três meses num lugar; e depois de ter um problema com o chefe ou outra pessoa, simplesmente pedem a demissão. São jovens despreparados para o mercado e para a vida.
Conheci excelentes alunos que, na hora de fazer a prova numa federal, não conseguem um bom desempenho. Eles travam. E há aqueles que se dão muito bem no mercado de trabalho, mas veem tudo como uma competição. Para estes, o outro não importa. Sua única preocupação é atingir o objetivo.
Como falar de cidadania em um projeto pedagógico quando há professores que fomentam esse comportamento? Já vi professores do Ensino Médio afirmarem para os alunos, o tempo todo, que embora sejam amigos, seus companheiros de sala são seus concorrentes no vestibular. Será essa a concepção de formação para o mercado que nós buscamos? Todos os dias, vemos quem queira derrubar o outro, ou quem deseje aparecer por causa do fracasso do outro, etc. A escola tem contribuído um pouco com esse espírito de competição, que não é saudável.
EP - A escola é culpada, então?
JH - No dia da tragédia em Realengo, quando a mídia só falava nisso, eu chorei por pensar em qual momento eu poderia ter fechado meus olhos.
Não que eu tivesse algum sentimento de culpa, mas porque eu também sou uma educadora. E a situação que antecedeu essa tragédia se repete há vários anos em muitas de nossas escolas.
Não estou buscando culpados. Não é isso. E concordo que o ocorrido em Realengo envolve um caso patológico.
Porém, aquele rapaz [Wellington] passou pela escola. Será que ninguém viu? Ninguém percebeu os sinais de comportamento? O que eu poderia ter feito por ele, como professora? Casos como esse devem servir à reflexão. Não como a mídia faz: massacrando num primeiro momento, para abandonar o assunto depois que perde o interesse.
O conflito é o tipo de situação que precisa ser contemplada na escola, com discussão em sala de aula.
Postado por MARCELO LUNA às 23:28:00
quarta-feira, 18 de julho de 2012
Silêncio que Fala!
Na Vida existem falas ditas e falas "caladas"!
Ultimamente o silêncio diz o que as palavras não falam!
Cabe aos pais e educadores "escutar" os sinais silenciosos de suas crianças e jovens!
Algo me preocupa!
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A Palavra anda! O Silêncio Fala!
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